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O acordo comercial entre União Europeia (UE) e o Mercosul, bloco que o Brasil integra, está em fase final de aprovação – embora ainda possa ser derrubado. Caso venha a ser confirmado, pode representar grandes ganhos para o agronegócio brasileiro em abertura de mercados.

O acordo deve ser votado nesta semana nos Parlamentos dos dois blocos econômicos. No Mercosul, há consenso entre os cinco países (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia) de que a aprovação é benéfica e necessária para as economias.

Já na Europa, há forte resistência por parte de alguns países, principalmente a França e a Polônia, que pretendem proteger justamente os setores agrícolas locais. Outros, como Espanha e Alemanha, apoiam a conclusão, assim como a liderança da UE, na esperança de aumentar o crescimento econômico.

O presidente francês, Emmanuel Macron, e a premiê italiana, Giorgia Meloni, tentam adiar a votação no Parlamento europeu, marcada para esta terça-feira, 16. Na ocasião, deverá ser discutido o texto que trata das “salvaguardas bilaterais” previstas no pacto, referentes à proteção de “produtos agrícolas sensíveis”.

Posteriormente, o Conselho Europeu, formado pelos 27 chefes de governo da UE, realizará outra votação pela aprovação do acordo, em que será necessário o voto favorável de 15 deles. No total, a representatividade deve ser de 65% da população do bloco.

O acordo UE-Mercosul, negociado ao longo de cerca de 25 anos e frequentemente travado perto da conclusão, é visto em Bruxelas como uma forma de diversificar os laços da Europa, de acordo com um porta-voz da Comissão Europeia.

No agronegócio brasileiro, a expectativa é de que o acordo proporcione a abertura de mercados, aumentando e facilitando as exportações do Brasil para a Europa. Declarações do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e da senadora Teresa Cristina (PP-MS), vista como uma das principais representantes da bancada do agro no Congresso Nacional, dão conta da ansiedade do setor.

O acordo também trará um benefício paralelo: fortalece Mercosul e União Europeia para enfrentar possíveis tarifas de outros mercados. Apesar da UE ter chegado a um acordo por uma redução das tarifas impostas pelos Estados Unidos para 15%, e do Brasil ter tido uma parte de suas exportações retiradas da lista de produtos tarifados, ambos os blocos ainda tentam se resguardar de novos abalos.

A UE ainda discute como reconhecer sistemas nacionais de rastreamento, mas deve acabar adotando os mecanismos já existentes em cada país, o que pode beneficiar o Brasil.