• RSS
  • Delicious
  • Facebook
  • Twitter

Está cada vez maior o desequilbrio entre empresas que operam navios e os usuários do transporte marítimo internacional de contêineres, sendo assim, há uma redução na concorrência das exportações no País. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) intitulado O Transporte marítimo de contêineres e a competitividade das exportações revela que as dez maiores companhias transportadoras de cargas concentram 74% do mercado mundial. Em pouco mais de duas décadas, essas empresas dobraram de abrangência – detinham 38% da capacidade mundial, em 1995. A pesquisa mostra que o Brasil está mal inserido no mercado de transporte de contêineres em razão de uma série de problemas. Entre os quais, a forte concentração de mercado das empresas de navegação, políticas ultrapassadas que perderam a funcionalidade e regulações frágeis e deficientes. Tais situações geram desequilíbrio entre as partes, deixando empresários exportadores e importadores reféns dos chamados armadores, que cobram fretes extremamente elevados.

Atualmente, segundo o estudo da CNI, existem mais de 1.300 sobretaxas, sendo que, em média, nove delas incidem sobre cada embarque. Parte desses encargos é extremamente volátil, podendo variar seu preço e aplicabilidade com frequência semanal.

Entre as medidas propostas pela CNI para que o país avance estão a intensificação da fiscalização dos navios que operam no tráfego de contêineres de longo curso e a divulgação sistemática de informações e estatísticas sobre o transporte dessas cargas. A CNI defende que sejam informados com transparência dados, como os valores médios de fretes por cargas e rotas. Outra recomendação diz respeito à criação de um conselho nacional para a defesa de interesses dos usuários, que teria a função de aumentar o poder de barganha dos exportadores e importadores nas negociações com os armadores e estabelecer diálogo entre o ente regulador e os usuários de transporte.

O segmento de carga de contêineres responde por pouco menos de um quinto do comércio marítimo mundial, em volume de carga movimentada. O restante está concentrado no transporte de granéis sólidos e líquidos. No Brasil, os serviços de carga geral conteinerizada no longo curso são oferecidos por empresas estrangeiras não estabelecidas no país, exceto nos tráfegos entre o Brasil, Argentina, Chile e Uruguai. Nesses, a participação brasileira é assegurada por acordos bilaterais de reserva de mercado, mas com um frete acima do que seria estabeleceido em um ambiente competitivo.

Todos os documentos citados com propostas da CNI para o novo governo foram elaborados com base no Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022, que aponta os caminhos para o Brasil construir, nos próximos quatro anos, uma economia mais produtiva, inovadora e integrada ao mercado internacional. Os estudos sugerem ações em áreas como eficiência do estado, segurança jurídica, infraestrutura, tributação, educação, meio ambiente, inovação, financiamento e segurança pública. As propostas serão discutidas com os presidenciáveis durante o Diálogo da Indústria com os Candidatos à Presidência da República, que reunirá cerca de 1.500 líderes empresariais em 4 de julho, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília.

Fonte:Confederação Nacional da Indústria – CNI